O celular e a saudade
Por Márcio Gomes
em
Poemas
Um pulsar no peito e um celular na mão
Quem nunca se sobressaltou com isso
Ao ouvir o som da mensagem
E o aparelho com sua vibração
No dia a dia encurta muito a distancia
Usa-lo com sabedoria afaga a saudade
Muitas vezes não são boas notícias
Mas, geralmente, nos trás felicidades
Quando o pensamento vaga em alguem
A respiração começa a mudar
Fechamos os olhos pra aguçar os sentidos
E as lembranças tentamos materializar
Quando a saudade aperta no peito
Abrimos o whatsapp para ler mensagens
As vezes as lembranças são tão vividas
Que nossa mente cria ilusões e miragens
Queremos sentir o toque, ouvir a voz de alguém
Mas de longe, impotentes, nada podemos fazer
Repassamos a leitura de antigas mensagens
Ficando no limite de, pela saudade, enlouquecer
Uma voz, o som de um riso, fotos daquele sorriso
Nós vemos, as vezes, ao ponto de chorar
Porque as lembranças ficam mais vividas
Por mais uma vez buscarmos recordar
E quando, de saudade, mandamos uma mensagem
As mãos suando e tremendo de medo ao enviar
Olhamos o status e a pessoa está online
Paramos no tempo, infartados... Será que vai olhar?
Quem nunca ficou ali, parado, esperando aquela pessoa ler
Esperando o status da mensagem mudar pra visualizado
Contando os segundos, que logo se tornam minutos, horas...
E aí vem o choque: pela pessoa querida você foi ignorado
De repente você não é ou não tem mais seu ombro amigo
Aquela pessoa amiga para, nas noites de insônia, desabafar
Pra contar do seu dia a dia, estresses, risadas e intrigas
E todas as armaduras vestidas neste dia, só pra ela retirar
O que era ponte agora é um retrato do abismo
Reflexo da distância, do luto, da dor
Sim, também do luto, pois antes trazia alegria
Mas agora, sempre que olha, tem a ausência do amor
Se meu celular pudesse um pouco falar
De tudo aquilo que, pelo escrito, presenciou
Falaria de grandes sonhos e lindos romances
Belíssimos contos, finais felizes, cheios de amor
Falaria dos sorrisos bobos que, em público, foram contidos
Ao um simples bom dia em uma mensagem repentina receber
E ver que aquela pessoa pensou em ti, como você pensou nela
E do nada, até o pior dos dias, repentinamente começa a florescer
Contaria sobre os grandes planos rascunhados
Ou das muitas declarações e paixões não enviadas
Dos desejos hora ditos, rascunhados em palavras
E que agora, com angústia, as vozes foram silenciadas
Porque o celular e a saudade, agora juntos
Precisam de vez tornar tudo em águas passadas
E as notificações e as mensagens antes alegres
Agora, de vez, uma última vez lidas
Precisaram ter as páginas viradas